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O PERIGO QUE A RIQUEZA TRÁS
18/08/2016

O PERIGO QUE A RIQUEZA TRÁS – Lucas 12.13-21

Introdução

Vivemos sob a influência de duas correntes teológicas extremas: A da pobreza que defende que nessa vida o cristão não deve possuir bens materiais, mas se contentar apenas com o tesouro do céu. E a da prosperidade, que reduz a mensagem do evangelho a um meio de ganhar dinheiro. Esses duas correntes são antibíblicas.

Do ponto de vista bíblico, a riqueza é considerada uma benção de Deus: Abraão era muito rico (Gn 12.1ss.). O homem que teme a Deus é feliz e na sua casa não faltará prosperidade (Sl 112.1,3). A Bíblia não é contra a pessoa possuir riqueza.

Por outro lado, as riquezas arrastam consigo grande perigo:

  • Há o perigo do homem se esquecer de Deus (1Tm 6.9,10);
  • Há o perigo de confiar nas riquezas e não em Deus;
  • O dinheiro pode mudar o caráter e o comportamento de uma pessoa;
  • O dinheiro compra não somente as coisas, mas também a dignidade, a alma das pessoas. As pessoas já não fazem certas coisas por serem corretas, visando o bem comum, mas por interesse de receber alguma coisa em troca ou por medo de perder. Por exemplo: dirigir com o cinto de segurança, respeitar o limite de velocidade, respeita as pessoas (não sendo racistas), etc., quando respeitam, respeitam porque tem medo de pagar multa ou indenização;
  • O dinheiro se não for bem utilizado pode trazer divisões. Abraão e Ló se separaram depois que ficaram ricos; seus rebanhos eram grandes, já não podiam permanecer juntos. A nossa sociedade está dividida em várias classes: alta, média, baixa, etc. O que gera a luta de classes, pois as que estão acima não querem as de baixo subam. Daí que os ricos continuam mais ricos e os pobres ainda mais pobres. Nessa sociedade as pessoas se preocupam mais com o ter do que com o ser. Elas são avaliadas pelo o que tem.
  • A riqueza seduz o coração do homem criando nele um desejo insaciável. A ganância é o motivo de muitas guerras (Tg 4.1,2). Países mais ricos invadem os mais pobres com o objetivo de dominar e explorar.

ESTUDANDO A PARÁBOLA

1. O desejo de uma pessoa avarenta (v.13).

Temos aqui um problema familiar envolvendo herança. Um homem aparece a Jesus e diz: “Mestre, diz a meu irmão que reparta comigo a herança.” Em resposta, Jesus adverte os seus discípulos do perigo da avareza.

Esse homem avarento quer que Jesus resolva o seu problema. Ele já decidiu o que quer e tenta usar a Jesus para atingir seus objetivos. Ele não estava preocupado com o que Jesus estava ensinando, queria somente ver o seu problema, ou melhor, os seus desejos gananciosos resolvidos. Ele não estava preocupado com a vida espiritual, com a comunhão com Deus. Assim também acontece hoje com muitas pessoas, principalmente os adeptos da teologia da prosperidade. Não estão preocupadas com a vida espiritual, com santificação e comunhão com Deus, mas, sim, com o que pode ganhar; se Deus pode ou não resolver os seus problemas.

2. A resposta de Jesus – “Mas ele lhe disse: Homem, quem me pôs a mim por juiz ou repartidor entre vós?” (v.14).  Nem tudo o que é desejado está de acordo com a vontade divina e por isso podemos receber um não de Deus.

Jesus recusou-se a envolver com essa causa. Enganam-se quem pensa que Deus vai resolver todos os nossos problemas; atender todos os nossos desejos gananciosos. Ele resolve sim, os que forem da sua vontade (Tg 4.3). Aquele homem achava que Jesus tinha a obrigação de resolver o seu problema; de obrigar o seu irmão dividir com ele a herança.

3. Um provérbio de advertência sobre o perigo da avareza (v.15). “E disse-lhes: Acautelai-vos e guardai-vos da avareza; porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui”.

Avareza é uma espécie de desejo insaciável. Avarento é aquele que é obcecado por adquirir e acumular dinheiro. Esse era o problema do rapaz.

Vida, zoe em grego, que significa vida plena, também espiritual contrasta com bio, vida natural, animal. Zoe, vida – da qual Jesus se refere aqui é uma qualidade especial de vida, não é a mera vida física. Essa vida, segundo Jesus não consiste na quantidade de bens que uma pessoa possui.

Do ponto de vista bíblico, a vida de uma pessoa não pode está alicerçada nas riquezas. É verdade que certa quantidade de bens materiais é necessário para a vida. Mas não é verdade que a maior abundância de bens significa maior abundância de vida.  

Jesus nos adverte aqui de duas maneiras:

  • O desejo insaciável por dinheiro é avareza – consequentemente se torna idolatria (Cl 3.5; Ec 5.10,13).
  • Os sonhos da vida abundante nunca serão alcançados mediante tal acúmulo de bens.  A realização de uma pessoa não está nas riquezas, mas em Deus. A igreja erra quando confunde vida abundante com acúmulos de bens, se fosse assim: Madona, Bill Gates e muitos outros milionários e bilionários do mundo todo seriam os mais abençoados e felizes.

4. Uma vida devota ao acúmulo de riqueza acaba em insensatez (vv. 16-18).

Para ilustrar o perigo da avareza, Jesus introduz uma parábola.  “E propôs-lhe uma parábola, dizendo: A herdade de um homem rico tinha produzido com abundância”.

4.1. Bens outorgados v.16. Já era um homem rico e ficou mais rico ainda depois que seus investimentos deram certo. Jesus não o censura, nem lhe acusa de corrupção; era rico porque soube acumular e administrar bem. De modo geral a prosperidade desse homem veio de Deus (Mt 5.45).

4.2. O problema. Como guardar a colheita v.17: “Que farei? Não tenho onde recolher os meus frutos.”. Sendo muito rico e desejoso de acumular mais ainda não queria perder nada. Não reconheceu que a colheita era uma dádiva de Deus. Sempre usando o pronome possessivo: “minha colheita”.

4.3. Seu plano presente v.18: “E disse: Farei isto: Derrubarei os meus celeiros, e edificarei outros maiores, e ali recolherei todas as minhas novidades e os meus bens”. Continua usando o pronome possessivo: meus celeiros, meu produto, meus bens. Ele traçou seus planos, mas não parou para refletir sobre o que estava fazendo.

4.4. Seu plano futuro v.19: “E direi a minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga”. Ficou mais rico, mas é um homem solitário, não tem ninguém para conversar, fala consigo mesmo. Onde está sua família e seus amigos? Ao enriquecer esse homem foi também se isolando das demais pessoas. O que adianta ganhar muito dinheiro mais perder a família, amigos e por fim também a alma? (Mc 8.36).

4.5. Plano frustrado v. 20: “Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será”? A voz de Deus lhe fala como um trovão. Revela sua realidade. A riqueza não é tudo na vida de um homem. Até a sua alma lhe fora dada por empréstimo, e agora é requerida pelo proprietário (Deus).

Conclusão

“Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus”. Com esse provérbio Jesus declara a futilidade da vida que se baseia no acúmulo de bens materiais. De acordo com Jesus rico para com Deus é:

  • O homem que usa e goza das suas riquezas da maneira que Deus quer. Vendo a riqueza não como um fim em si mesmo, mas como um meio para glorificar a Deus. Reconhecendo que tudo pertence ao Senhor e que ele nos dar não somente para nós, mas também para ajudar o próximo. Alei dizia que quando fosse feita a colheita deveria deixar as beiradas para os pobres colherem.
  • O homem que não coloca seu coração nas riquezas, mas em Deus.
  • Reconhecer que o dinheiro é necessário para a sobrevivência e existência física, mas insuficiente para atribuir sentido e significado à vida.
  • Somente quando compreendermos a dimensão do Reino de Deus é que estaremos livres da ganância, do desejo de possuir e acumular. Uma coisa é certa: a forma como encaramos os bens e as riquezas pode nos afastar ou nos aproximar de Deus. O problema não é o dinheiro. O problema surge quando o dinheiro se torna senhor e o homem servo. Dessa forma o homem passa a se preocupar mais com o TER e não com o SER.
  • O dinheiro é como adubo só serve como espalhado (Francis Bacon). De acordo com o filósofo inglês, se o dinheiro não for usado com o objetivo de promover o bem comum, não passa de um monte de esterco; é um deus que cheira mal.

 

Vivendo num mundo capitalista fundamentado no consumo é imprescindível que a Igreja reflita, pondere sobre o perigo que a riqueza pode trazer á vida espiritual dos cristãos. É imprescindível também que a Igreja pondere sobre a teologia que se prega hoje.

 

Pr Adriano

Referências bibliográficas:

BAILEY, Kenneth. As parábolas de Lucas. Ed. Vida Nova

CHAPLIN, Norma. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo. Ed Candeia

DOUGLAS, J. D. O Novo Dicionário da Bíblia. Ed. Vida Nova

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